O fechamento temporário de embaixadas estrangeiras no Brasil foi usado para alimentar uma teoria conspiratória sobre anular o resultado das Brazil elections de 2026. A narrativa circulou às vésperas do primeiro turno e ganhou força em Instagram e X.
Na sexta, o Instituto Democracia em Xeque registrou 164,8 mil publicações e 2,2 milhões de interações sobre possível intervenção estrangeira no processo eleitoral. O levantamento aponta que as mensagens ligavam o fechamento das embaixadas a uma suposta reação à possibilidade de intervenção do STF e do TSE.
Jeffrey Chiquini e Flávio Dino
Jeffrey Chiquini, candidato a deputado federal e advogado de Filipe Martins, publicou um vídeo nas redes interpretando uma postagem de Flávio Dino sobre as eleições americanas de 2000 como sinal de anulação do pleito brasileiro sob o pretexto de interferência estrangeira. As publicações também afirmam que o governo dos Estados Unidos teria descoberto um plano articulado pelo STF e pelo governo Lula para anular a eleição caso Flávio Bolsonaro vença no primeiro turno.
As versões mais difundidas tratam a vitória de Flávio Bolsonaro em primeiro turno como certa, embora o agregador de pesquisas do UOL mostrasse na noite de sábado Lula com 40,2% e Flávio Bolsonaro com 36,8%. O descompasso entre a narrativa e os números manteve a teoria em circulação, porque a alegação depende justamente de um cenário que as pesquisas mais recentes não indicam.
TSE e as seções eleitorais
O TSE desmentiu mensagens sobre supostos ataques de facções criminosas durante a votação. O tribunal afirmou que não há indícios de que as seções eleitorais estejam sob uma ameaça generalizada como a descrita nas publicações, embora algumas versões da teoria também digam que o PCC e o Comando Vermelho teriam sido mobilizados para ataques perto das embaixadas.
Paulo Bilynskyj aderiu à narrativa e disse: “Ataques terroristas. Esse é o motivo da embaixada dos Estados Unidos e da Austrália terem fechado em Brasília. O que que eles estão prevendo? Que o Flávio vai ganhar a eleição, que o PT vai tentar tocar o terror.” A sequência de publicações mostra como a teoria saiu de perfis menores, passou por influenciadores e chegou a políticos e candidatos. O efeito prático para o leitor é simples: conteúdo sobre supostas ameaças eleitorais e fechamento de embaixadas circulou em volume alto, mas o TSE já negou a versão sobre risco generalizado nas seções eleitorais.







